segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Serra do Gandarela: Audiência pública no dia 14 de janeiro

Na próxima quinta-feira, dia 14 de janeiro, será realizada no Poliesportivo, das 19:00 às 22:00 horas, audiência pública. A sua participação, cidadão, é importante não somente para a cidade de Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima e Raposos, que são as cidades que receberão diretamente os impactos socioambientais do empreendimento Projeto Mina Apolo da Vale, que se localizará na Serra do Gandarela, mas para toda a região metropolitana e seu entorno.


Para quem não conhece ainda a região da Serra do Gandarela, ela possui uma das maiores geodiversidades do Quadrilátero Ferrífero, mais de 100 cavernas, sítio paleoambiental, variedades de formas de relevo e diferenças de altitude marcantes.


É parte integrante do Espinhaço, considerado pela UNESCO como reserva mundial da biosfera, é divisor das bacias do Rio São Francisco e do Rio Doce, é de importância biológica extrememente alta, com características únicas, endemismo de fauna e flora, e contém importantes mananciais de abastecimento para a região metropolitana.


A Serra do Gandarela apresenta uma das maiores manchas de Mata Atlântica do estado de Minas Gerais, e uma grande área ocupada por mata nativa, seja de floresta, campos ou cerrado.

Historicamente a região do Gandarela também é bastante importante, abrigando em seus municípios o mais significativo conjunto dos povoamentos originários do Ciclo do Ouro, com várias ruínas de edificações cercadas de lendas e mitos.

Justamente por toda essa importância, a Serra do Gandarela está inserida na APA SUL (Área de Proteção Ambiental Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte), e segundo essa unidade de conservação, representa a mais extensa região ocupada por ambientes naturais da porção metropolitana de Belo Horizonte e produz um grande volume de água de vital importância para a população humana regional. Além de possuir um grande potencial hídrico, também possui um enorme potencial turístico, suas inúmeras cachoeiras e cascatas são de beleza ímpar.


Então, será que você não está envolvido(a) nessa questão?
Participe agora, depois não adianta lamentar ou reclamar...
Fotografia: Alice Okawara

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

MENSAGEM DE FINAL DE ANO



Mais um final de ano, período propício para a reflexão, para se definir novos rumos, para reacender o lume da esperança. O MACACA percorreu esse tempo com brio, primeiro com o sensacional Carnacatu, onde o viés cultural da entidade foi posto à prova na organização, junto com outras entidades progressistas, do evento da festa popular do Carnaval. Nesse momento, quando a cidade se via triste, à mercê da vontade de um poder público omisso e dos “promoters” de plantão, com sua capacidade de se apropriar das festas do povo para torná-las fontes de lucro, desvinculando-as de seu sentido simbólico e cultural, a entidade, demonstrou sua capacidade. Em outras ações como o movimento contra a degradação da qualidade de vida, como no caso da poluição sonora e na participação em movimentos de cidadania como no SOS Serra da Piedade, Movimento Serras e Águas de Minas, Conselhos Municipais, Comitês de Bacia e Conselho Nacional de Recursos Hídricos, o MACACA angariou respeito e prestígio até mesmo de seus adversários mais ferrenhos, por pautar-se pela ética e seriedade.


Hoje vivemos em nível local, momentos difíceis, pelo cerceamento dos espaços de cidadania, exemplificados na transformação do CODEMA em um arremedo de fórum de discussões e decisões, seguido dos demais Conselhos, criados pelo Constituição cidadã de 1998, para a participação democrática e popular, em instâncias consultivas, não mais deliberativas, encabeçadas por agentes do executivo. Este retrocesso, comandado pelo atual governo, sobre conquistas legítimas da sociedade, resultado de lutas históricas, poderá representar danos duradouros na sociedade local que tencionava participar de maneira proativa nas decisões de seu interesse depois de décadas sob o jugo do paternalismo. Outra preocupação que se acrescenta são os projetos de mineração que o município é objeto, como o mega-projeto Apolo da Vale do qual a população tem poucas informações, e quando são divulgadas, se fazem massivamente através das elites locais e mídia que se juntam no discurso em torno de seus benefícios, ocultando deliberadamente os grandes impactos socioambientais. A Serra do Gandarela, região de grande beleza, rica biodiversidade e recursos hídricos importantíssimos para o local e para as populações de diversos municípios próximos é pouquíssimo conhecida pelos caeteenses. A mineradora Vale promoveu visitas de diversos segmentos sociais de Caeté às suas minas em outros municípios como a de Brucutu em São Gonçalo do Rio Abaixo, mas estranha ou deliberadamente não os levou à Serra do Gandarela, pois se o fizesse enfrentaria oposição semelhante à da mineração na Serra da Piedade, ainda alvo de cobiça da AVG-MMX, tal a beleza do lugar. Outra preocupação no quadro de degradação são os projetos da MSol, principalmente em Morro Vermelho, pelos impactos sobre as águas e sobre o patrimônio histórico do distrito. Em todos os fatos citados o MACACA atua em conjunto com diversas entidades e com o Ministério Público, sabedor do seu papel e, o mais importante, com o reconhecimento e apoio da maioria da população.


São tempos difíceis para a cidade e para o planeta, mas nunca devemos perder a esperança em dias melhores, na lúcida loucura da utopia de um novo mundo, vamos continuar firmes, unidos e com os corações iluminando nossos caminhos.
Feliz Ano, hoje, amanhã e sempre.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fonte: http://notasaocafe.wordpress.com/category/notas-ao-cafe/page/8/


O texto abaixo é de Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, autor dentre outras obras de "As Veias Abertas da América Latina".

Neste momento de discussão dos problemas ambientais vale a pena ler:

Eduardo Galeano – Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio crescer


1 – Somos todos culpados pela ruína do planeta.

A saúde do mundo está feito um caco. ‘Somos todos responsáveis’, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade. Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao ‘sacrifício de todos’ nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras – inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de ozônio – não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam.. Os dados ocultos sob o palavreado revelam que 20 por cento da humanidade cometem 80 por cento das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, “faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem todas as suas necessidades.” Uma experiência impossível. Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo, está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.


2 – É verde aquilo que se pinta de verde.

Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. “Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais estritas”, esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mundo. Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação. Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: “os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econômico e a espantarem o investimento estrangeiro.” O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência disporá de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente. O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política econômica, em função do dinheiro que concede ou promete. A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os desertos que antes foram bosques.


3 – Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.

Poder-se-á dizer qualquer coisa de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas... As empresas gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco 92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de ***pula da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno. No grande baile-de-máscaras do fim do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba- Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas. A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se ***mplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil. Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega ante o compromisso político.


4 – A natureza está fora de nós.

Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as órdens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: “Honrarás a natureza, da qual tu és parte.” Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão. Muito recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que, tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a natureza. Agora, até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la. Mas, num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio céu.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SERRA DO GANDARELA, SALVEM ENQUANTO É TEMPO.


O Movimento pela preservação da Serra do Gandarela lança campanha pela preservação desse lugar de grande importância natural e rara beleza.
O MACACA, ao lado do Instituto Guaicuy, Biotrópicos, Arca Amaserra, ONG Leão, Coletivo Jovem Meio Ambiente, Conlutas, Articulação do São Francisco, Instituto Pro-Cittá, Movimento Serras e Águas de Minas, Projeto Manuelzão e muitos outros, está nesta luta.

Participe: movimentogandarela@gmail.com
(31) 3409-9818

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Praça da tristeza



O MACACA e a população já protestaram por diversas vezes, mas esse governo, que mata de inveja qualquer grande devastador da Amazônia ou do Cerrado, destrói mais um espaço de convivência e encontro, derruba todas as árvores (esta é a administração que mais cortou árvores em toda história de Caeté) e transforma uma praça, que poderia ser da alegria, em praça da tristeza.

Uns dizem que a praça dará lugar a mais uma rotatória para melhorar o fluxo dos veículos e evitar acidentes. Tudo bem, mas essa era a melhor solução? A proposta foi discutida com os moradores do lugar? Mas o diálogo não é prática deste governo que se coloca acima de tudo e de todos e se porta à maneira dos tratores que transformaram a tranquila praça Yves Mathieu (será que agora o nome será rotatória Yves Mathieu?) em terra arrasada.

Mas o que se percebe é que querem criar uma nova cidade não respeitando a cidade tradicional, deixar livres as avenidas para o fluxo de carros que devem se deslocar rápido, para os caminhões com grandes cargas para as mineradoras, dar uma cara de cidade moderna aos espaços mais visíveis para funcionar como uma vitrine a céu aberto.

O pensamento arcaico dos nossos governantes, que se colocam como arautos do novo e do progresso, fechados ao diálogo e avessos à crítica, trazem grandes prejuízos à coletividade, que se ressente da perda cotidiana da querida e velha Caeté.

Até quando suportaremos esses desmandos...

sábado, 21 de novembro de 2009

Mina Ouro em 2001. Último empreendimento da Vale em Caeté depois de oito anos de abandono.




É uma pena que haja ainda em Caeté quem preconize desenvolvimento econômico sustentável para a cidade retomando os passos do passado. Não há nada mais indicativo de atraso que, como alternativa para o presente, apontar para trás, para o próprio passado. Justamente num momento da história de Caeté em que a cidade cresce por si mesma com a construção civil e com o surgimento de pequenas empresas, se preparando para um futuro não muito distante, deixando para trás um período em que dependia de decisões externas, de uma ou duas fontes de emprego e era refém dos desígnios de tais empresas tendo a elas atado o seu destino.
Empresas essas que uma vez terminado em Caeté seus interesses jogam toda uma população no abismo que se cavou com essa dependência. Antes era a FB; agora os nomes são outros (MSOL, Vale) que, aonde chegam prometem tudo e quando se vão não se importam com as crateras ambientais e os abismos sociais e econômicos que deixam. O primeiro que reduzem para diminuir custos é o quadro de funcionários. Estes empreendimentos estão franqueados e defendidos por aqueles que formam uma elite e que são os que realmente se beneficiam diretamente deles, por isso constroem todo esse discurso. Um exemplo é o atual Prefeito e o grupo forte de sua administração, todos vindos da ACIAC e que tiveram sua campanha eleitoral, em grande parte, patrocinada por mineradoras. Não é a toa que sua entidade base, a ACIAC, é a que mais publica loas as mineradoras. E o resultado disso está a mostra na administração desastrosa de Ademir de Carvalho, cavalo de tróia das mineradoras que demonstra mais claramente, ao vivo direto e “in loco” a diferença entre o discurso e a prática desse setor. Em seu último artigo no Jornal Acontece da semana anterior, sobre Desenvolvimento com Sustentabilidade eles mesmos apontam o resultado desse modelo que estão a propor, que Caeté é hoje uma das cidades que tem a renda per capita das mais baixas de Minas Gerais. É muita cara de pau citar sustentabilidade numa proposta de desenvolvimento que sempre manteve Caeté numa corda bamba entre um pequeno surto de exploração dos recursos naturais e de mão de obra barata (porquê a mão de obra qualificada eles não aproveitam daqui, trazem de fora), alternado com longos períodos de desemprego e crise. “... já fomos a oitava economia do estado”; se esse modelo fosse realmente sustentável ainda seríamos. Nada aflora de “fora para dentro”, a não ser uma cidade que acredita nesse conto.
Privilegiada por sua posição geográfica e suas belezas naturais, Caeté tem outras possibilidades e uma delas virá com a duplicação da 381 e a construção do rodo-anel. Estará ás portas de Contagem e Betim, um dos maiores parques industrias da região Sudeste; sem mencionar que, melhor que outras cidades da Grande BH estará também bem mais perto da Cidade Administrativa, atualmente em construção em Confins e que é vista por toda a região como fonte de oportunidades pelo volume de recursos que colocará em circulação devido ao alto poder aquisitivo de sua população. Não é preciso dizer aqui porquê, nesse panorama, a manutenção da qualidade de vida, de seu patrimônio natural, cultural e histórico é importante (o é também em qualquer outro, mas sobretudo neste).
Essa é a Caeté que queremos para o futuro.
Muito diferente é verdade, da que preconizam os que não se incomodam de, a cada geração que tem emprego enquanto duram os recursos naturais disponíveis, haja uma outra que, ou vive dependente da aposentadoria dos pais, ou imigra por que se esgotaram tais recursos naturais e outro ciclo de exploração mineral; fatos estes, tão comuns no passado de Caeté que agora querem ressuscitar.

Ronaldo Candin


- Co-fundador do MACACA e do SOS Serra da Piedade,
ex - Presidente do CODEMA de Caeté.
Ps. A "recuperação" da mina exposta nas fotos acima unicamente se deu depois da atuação do independente CODEMA de então que se impôs, só aceitando analizar qualquer projeto para Caeté depois da "recuperação".

sábado, 17 de outubro de 2009

Sai da linha que lá vem o trem...

Os moradores que ocupam as margens e leito da antiga ferrovia receberam recentemente este comunicado da prefeitura. É estranha essa preocupação do poder público com as pessoas que por motivos diversos se transferiram para essa região que atravessa grande parte da cidade, desde a desativação do trecho ferroviário em meados dos anos 90, já que diversas administrações e a União, proprietária da faixa de terreno, nunca se tocaram pela sorte das mesmas. O processo de ocupação nunca foi contestado pela União, através da antiga RFFSA, que após a retirada dos trilhos do trecho, nunca reinvidicou a reintegração de posse do imóvel, pois após a privatização das ferrovias pelo governo federal não existia mais interesse em operá-lo e a prefeitura por outro lado argumentava que não podia embargar as construções que se multiplicavam pois a área era de propriedade de terceiros, no caso a própria União. Esse impasse, senão uma omissão, foi percebido pelas pessoas que por necessidade (a cidade vivia tempos de crise pelo fechamento da Barbará) ou por oportunismo tomaram o antigo trecho de ferrovia como território livre ou terra de ninguém. Os problemas quanto à infraestrutura eram diversos, saneamento, água, luz, algumas áreas de risco, etc, mas com o passar dos anos alguns desses problemas foram resolvidos, outros persistem, mas enfim, os moradores se adaptaram à situação e agora podiam usufruir de algumas facilidades que a cidade lhes negava como proximidade com o trabalho, com a escola, com os serviços de saúde e com o comércio diversificado para suprir suas necessidades imediatas. Agora depois de muito tempo recebem esse comunicado que lhes causa grande apreensão, qual o motivo desse súbito interesse em "solucionar" esse "problema" por governantes que nunca se preocuparam com as famílias (os chamados invasores da linha) já discriminadas e segregadas por grande parte da população. Pouco tempo antes do tal comunicado, homens com aparelhos de medição já haviam passado por lá, registrando dados, anotando, fazendo perguntas. Por que? Para quem? Boatos circulam entre os moradores da linha e na cidade, o antigo trecho irá servir a um desses projetos ligados à mineração que têm o município como local de implantação. Um lugar que tinha perdido o valor, abandonado ao seu destino, readquire valor motivado por interesses de coorporações que associados ao poder municipal vem modificar a vida das pessoas. Onde se encaixaria nesse processo os programas como o "minha casa, minha vida" com propostas do governo na Câmara Municipal? Como se articulam-se esses processos que passam distante da maior parte da sociedade mas que têm no centro os interesses de grupos que detêm o poder político e de grupos que detêm o poder econômico. Como ficarão as pessoas da ferrovia dinte de um governo que subitamente se preocupa com o "social"...