sexta-feira, 14 de junho de 2013

A carta abaixo foi publicada no jornal Acontece de 14 de junho - edição 817 - como comentário ao editorial da edição anterior: 

Prezado Senhor Editor,
A respeito do editorial intitulado “Vazio” da última edição viemos parabenizá-lo pela qualidade do texto e pela iniciativa em abordar questão tão pouco debatida em Caeté. Concordamos que os espaços de participação da sociedade encontram-se, em certo sentido, esvaziados ou precariamente ocupados, parte pela ação de atores que, detendo o poder, não se sentem dispostos a compartilhar a governança, fato ressaltado no editorial, e parte pelo desinteresse na participação e exercício da cidadania da maioria da população, resultado, acreditamos, de um longo processo de despolitização que se originou no período da ditadura civil-militar. Isso pode ser verificado na atuação dos Conselhos Municipais como lembrado, e o Macaca pode falar bem disso, pois além de ser um dos mobilizadores para a criação do Codema, modificado em seu formato inédito, progressista e participativo pela administração passada, vem participando anos a fio em outros conselhos dentro do âmbito de atuação da entidade.  Além do Codema, a maioria dos conselhos teve o seu papel reduzido ou esvaziado porque tiveram a essência de seu caráter modificado pelo poder de plantão, passaram de deliberativos para consultivos, contrariando o que se propôs na Constituição de 88 para os mesmos e abortando dessa forma, infelizmente, o processo de construção da cidadania e empoderamento da sociedade civil.
Quanto a pouca visibilidade do Macaca em suas ações, exceto o Carnacatu, deve-se à participação  ativa, silenciosa e persistente, mormente desapercebida, no processo  de organização da sociedade, especialmente dentro do  campo ambiental, seja  no momento do S.O.S Serra da Piedade, seja na criação do Movimento Serras e Águas de Minas ou na participação no  Movimento de Preservação da Serra do Gandarela.  Além  disso o Macaca tem representações  em comitês de bacias, nos conselhos estadual e nacional de recursos hídricos e em outros fóruns de destaque. A atuação nesses espaços, de forma voluntária, com demandas urgentes, com pouco tempo para divulgação de ações, nem sempre é bem vista porque quase sempre contraria interesses políticos e econômicos e por se situar em uma esfera de conflitos, não se coloca como prática social simpática ou aceitável para esses grupos de poder  incomodados com a corajosa atuação da entidade,  porque o MACACA no fundo, questiona um modelo político e econômico.

Acreditamos que a sociedade civil de Caeté tem procurado se organizar para atuar de forma mais efetiva na defesa de interesses coletivos, haja vista o surgimento da SGPAN, a atuação do Sindicato dos Servidores Municipais e a criação de diversas associações e esperamos que gradativamente seja criada uma nova conjuntura na qual o vazio aparente seja ocupado pelas vozes da cidadania , ancorada na legitimação da política como principal forma de transformação da sociedade e que o poder público esteja aberto ao diálogo e a mudanças.  

Veja carta em: 

http://www.aconteceonline.com.br/jornal/acontece/index.html#/6

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dia Mundial do Meio Ambiente - contradição em Caeté e no mundo.



Caeté – vocação e risco de desabastecimento.


Em Caeté experimentamos uma situação no mínimo contraditória por nossa posição geográfica. O nosso município tem nas montanhas que fazem divisas com Sabará (Serra da Piedade); com Raposos, Barão e Santa Bárbara (Serra do Gandarela) grandes jazidas de minério de ferro.  Porém lá também se localizam os únicos mananciais de captação de água para abastecimento de nossa população. 
Se por um lado Caeté é rica em minério de ferro, produto que está no topo da balança comercial brasileira e que perde apenas para a soja, por outro lado, devido à posição geográfica (médio-alto da Bacia do Rio das Velhas) é pobre em recursos hídricos e não recebe água de nenhum município vizinho para seu consumo. Só contamos com três mananciais de água para abastecimento da população: Ribeiro Bonito, Córrego do Jacu e Córrego Santo Antônio. 
O Ribeiro Bonito fornece a água mais cara para o município por necessitar de forte tratamento para o consumo. Isso é devido a sua bacia hidrográfica ser bastante degradada, agredida que é pelo esgoto de Rancho Novo, de sítios vizinhos; e também por assoreamento e contaminação por agrotóxicos proveniente da prática da monocultura de eucalipto e horticultura ao longo de seu curso. Essa situação inclusive levou o SAAE de Caeté a propor a criação da APA Ribeiro Bonito numa tentativa de, nos próximos anos, salvar aquela importante bacia hidrográfica que fornece 60% da água consumida em Caeté. Em tempo de chuva esse percentual cai para 30% devido à dificuldade de tratamento com a queda da qualidade da água, a bacia já foi declarada em ocasião recente área conflito em torno da disputa pelos recursos hídricos.
O Córrego do Jacu, outro importante, manancial tem suas nascentes na Serra do Gandarela, serra essa que é alvo da atividade mineraria da Jaguar Mining (MSol) e para a implantação da infraestrutura da Mina Apolo da Vale para retirar centenas de toneladas de minério de ferro por dia e beneficia-lo com a água que hoje é utilizada para consumo humano de diversas comunidades da região.
Em tempo de chuva, o Córrego Santo Antônio, o terceiro manancial de Caeté, compensando a diminuição na ETA Ribeiro Bonito nesse período, chega a fornecer 40% da água consumida em Caeté. Suas nascentes estão na Serra da Piedade, onde até 2006, o minério da extinta Brumafer era beneficiado com água, parte retirada do subsolo e parte represada das nascentes sendo uma características das minas a céu aberto.  O fechamento da Brumafer por crime ambiental em 15/01/2006 foi resultado de um processo que levou a Serra da Piedade a ser o primeiro Patrimônio Natural de Minas a ter seu tombamento regulamentado permitindo assim ao Ministério Público Estadual acolher nossas denúncias e  a ordenar o cesse imediato das agressões ambientais representadas pela extração mineral que nela ocorria. Só assim, foi possível garantir, não sabemos por quanto tempo, o abastecimento vindo da Estação Vila das Flores.
Portanto, nesse Dia Mundial do Meio Ambiente, a contradição está clara e a desinformação também. Ao vermos uma dona de casa lavar o passeio e a rua com água corrente e tratada, ou mesmo, nossas autoridades fecharem os olhos para a agressão ao meio ambiente nas serras de Minas e do Brasil nos perguntamos: será que daqui a 20 anos isso será possível? Os lucros e dividendos da extração mineral, desde os tempos do ciclo do ouro no passado, seguem a lógica do sistema e não ficam aqui. Portanto, nós optamos pelo abastecimento de água e pela preservação desses bens. Um debate sobre a segurança  hídrica do município tem que ser aberto o quanto mais breve, aproveitando-se o atual momento no qual as condições políticas se mostram mais favoráveis, com uma Câmara renovada, com um novo governo e, espera-se, com a participação mais ativa da sociedade.  Estamos fazendo a nossa parte. E você? Feliz dia Mundial do Meio Ambiente.


domingo, 14 de abril de 2013

Parque Nacional da Serra do Gandarela - Riqueza limpa por toda vida.





Atendendo à uma solicitação do Macaca, a Câmara Municipal realizou na quarta-feira, dia 10, sessão extraordinária com a presença do executivo. Os representantes do Macaca fizeram uma exposição a respeito do papel da entidade no município e nos diversos espaços em nível municipal, estadual e federal onde atua, seja em conselhos, comitês, agências de bacia e movimentos. Esse fato foi inédito, pois no mandato anterior Câmara e governo municipal nunca se mostraram dispostos a ouvir o setor ambientalista e o acontecimento recente demonstra um avanço muito significativo, pois talvez esteja se configurando um novo tempo onde o diálogo, o respeito e o debate de alto nível tragam benefícios à sociedade.

 Na oportunidade o Movimento de Preservação da Serra do Gandarela, frente na qual o Macaca tem importante atuação, apresentou aos vereadores, prefeito Zezé Oliveira, secretários e público presente o tema "Parque Nacional do Gandarela - Contribuições para a Economia Local e Regional". A apresentação estendeu-se por mais de três horas onde os aspectos naturais, importância hídrica e atrativos turísticos do Gandarela foram destacados, bem como os riscos dos projetos de mineração na região, principalmente o Apolo da Vale. O economista Jose Tanajura do Movimento Gandarela, um dos responsáveis pelos estudos, discorreu sobre as possibilidades de geração de riqueza e desenvolvimento regional a serem desencadeadas com a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela . Dentre as atividades econômicas a serem estimuladas pela criação do parque destaca-se o turismo e suas formas, seja o ecoturismo, o turismo de aventura, o rural-cultural, o de vilarejo, o gastronômico, o pedagógico, o científico, dentre outras, "favorecido pelos megaeventos desportivos e pelo período de “bônus demográfico” na RMBH (até 2020 a população economicamente ativa se manterá maior que as populações dependentes), haverá um aquecimento da economia regional com abertura de uma janela de grandes oportunidades econômicas. A região do PARNA Gandarela apresenta atributos ambientais singulares de reconhecida relevância nacional e internacional e alta potencialidade turística", associados à proximidade e facilidade de acesso a outros centros. O circuito Serra do Gandarela, inserido na Estrada Real e articulado aos mercados da Região Metropolitana de Belo Horizonte (4,7 milhões de habitantes), São Paulo (19,6 milhões de habitantes), Rio de janeiro (11,5 milhões de habitantes) e também ao internacional, se mostra economicamente viável "possibilitando e induzindo a geração de emprego e renda permanentes e crescentes, voltados para a população local e regional, com diversificação mercadológica, através de atividades como turismo, agricultura orgânica e artesanato, a serem desenvolvidas no PARNA e seu entorno, configurando ali o Pólo Econômico Regional do Gandarela. Os impostos e a movimentação de salários gerados por esses empreendimentos certamente serão uma contribuição significativa às economias dos municípios do seu entorno". 

As expectativas para o pólo econômico do Gandarela foram resumidas nos seguintes pontos:
  •Considerando as estimativas sobre postos de trabalho, o Parque Nacional daSerra do Gandarela irá movimentar na economia dos municípios abrangidos da ordem de grandeza entre R$ 65 milhões (primeiros oito anos) e R$ 110 milhões (a partir do 12º ano) anuais, correspondendo a uma geração de 4 mil a 6,5 mil empregos permanentes. 
•Em termos de arrecadação de ISS, prevê-se uma arrecadação realista da ordemde R$ 1 milhão anuais a partir do oitavo ano do PARNA, com alcance R$ 1,5milhões a partir do seu 15º ano (valor atual). 
•Haverá acréscimo no Fundo de Participação dos Municípios da Região, com o crescimento da arrecadação do ICMS, IR e IPI. 

Após a apresentação foi aberto debate, momento no qual foram levantados diversos questionamentos a respeito do Projeto Apolo e do Parque Nacional da Serra do Gandarela, destacando-se os riscos em relação à segurança hídrica do município com a implantação de projetos de mineração, especialmente sobre o aquífero Gandarela e bacia do Ribeirão da Prata, a demanda crescente por espaços como os das unidades de conservação, alavancando negócios no ramo de turismo, hotelaria, agricultura, artesanato e serviços, a atratividade de municípios com capacidade de oferecerem água limpa e ar puro para indústrias de alta tecnologia (eletrônica e química fina) desde que optem pela preservação desses atributos e as possibilidades de otimização do transporte na grande BH a partir da implantação de projetos de grandes eixos viários (Alça Norte, Alça Sul e Contorno Leste) que irão interligar Caeté ao restante da região metropolitana,  pólos nacionais e inclusive internacionais, através do aeroporto de Confins. O modal ferroviário também foi abordado já que no momento o município foi colocado á margem de projetos e iniciativas em curso para a utilização desse meio no transporte de passageiros.

Fonte: Parque Nacional da Serra do Gandarela - Oportunidades de riqueza limpa por toda vida.
www.aguasdogandarela.org


sábado, 2 de março de 2013

A QUE VEM O INSTITUTO GANDARELA?


PARTE 1

No início de dezembro de 2011 tomamos conhecimento do chamado “Instituto Gandarela”, com uma marca com design meio abstrato em tons de vermelho e marrom. Muita curiosidade de todos nós. Será que tem relação com a Serra do Gandarela? Será que foi criado por alguém com esse sobrenome que nem conhece a região? Será que é a Vale?


  Pesquisamos no Google. Nada de site ou blog. Localizamos que foi criado em 12/8/2010 e que, como co-realizador da Mostra BH 2011, o Instituto Gandarela recebeu dotação orçamentária da Fundação Municipal de Cultura/PBH (R$ 411.556,00), através do gabinete do Prefeito, e contou com o patrocínio da Petrobras (R$ 100.000,00) e apoio da Arte Brasil Produção Cultural e da Fundação Nacional das Artes (Funarte), que cedeu quatro galpões em Belo Horizonte. Naquele momento, percebemos que o instituto recém-criado chegava com condição para captar recursos públicos e apoios de porte, estaduais e federais.

Não demorou muito para ter mais informações. No dia 20/12/2011, em reunião do Grupo de Trabalho criado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (GT2), do qual participamos, a Vale apresentou seu Programa Integrado de Gestão Ambiental do Projeto Apolo, pretendido na Serra do Gandarela. E lá estava, entre os 34 slides, o Instituto Gandarela. Ou era muita coincidência...




Estrategicamente, os representantes da empresa falaram sobre o alcance e perspectivas desse Programa antes de apresentar sua proposta para os limites do Parque Nacional da Serra do Gandarela.  Assim, ficou claro naquele dia que a Vale escolheu um “pacote” de iniciativas, entre elas o Instituto Gandarela, que apresentava como contrapartida para “detonar” grande parte da Unidade de Conservação federal e permitir suas pretensões minerárias na região.



Redobramos a atenção sobre o Instituto Gandarela. A entrada do site no ar, as matérias na mídia, o contrato com o Shakespeare’s Globe Theatre e a realização de eventos de grupos artísticos mineiros. Assim, tomamos conhecimento sobre quem estava à frente, como co-Fundador e presidente: Mauro Maya, empresário natural da terra de Carlos Drummond de Andrade, Itabira, funcionário da Companhia Vale do Rio Doce por 11 anos, onde também foi promotor de eventos internos da empresa, fundador da Arte Brasil Produção Cultural. Desconhecemos o quanto sabe sobre a questão Preservação da Serra do Gandarela x Vale S.A.





Não vamos entrar no mérito se a cópia de um grande projeto cultural, com alicerce num ícone do teatro inglês, é o mais adequado em Minas Gerais, com sua cultura única e forte repertório de movimento de teatro de grupos, e na região do Gandarela que fica bem no coração dos Caminhos da Estrada Real (dos Diamantes e de Sabarabussú), entre vários núcleos históricos significativos do período do ciclo do ouro com importante acervo arqueológico, histórico e de manifestações e tradições culturais. 

Encontramos trechos interessantes no site do Instituto Gandarela:  

O Instituto Arte Brasil, consciente de seu papel como agente cultural e formador de cidadania, buscou meios de criar ali o Complexo Cultural Gandarela, que englobará diversificadas áreas do saber e do fazer. Com tal objetivo, fez parceria com a VALE, que lhe passou, em regime de comodato por vinte (20) anos, um terreno de vinte mil (20.000) metros quadrados onde serão implantados teatros, arena para circo, salas para oficinas de treinamento profissional e artístico, espaços para trabalho de preservação ambiental, conforme explicitado no projeto de construção do referido Complexo.

Justificativa

Consciente de sua responsabilidade para com seus concidadãos, e das possibilidades de reunião, na região de Rio Acima, dada sua localização próxima a Belo Horizonte, às cidades históricas, e a três Universidades Federais (UFMG, UFOP, UFV), a Arte Brasil, de mãos dadas com a VALE, não tem dúvida de que, uma vez implantado, este projeto renderá resultados muito positivos, já a curto prazo.


Os pontos fundamentais para o cumprimento desse objetivo são: Criar um viveiro de mudas aberto à visitação. Este viveiro conterá mudas de plantas características da Serra do Gandarela, com a correta identificação das espécies, a fim de preservar os espécimes da região, permitir a restauração da vegetação típica após a atividade mineradora e mostrar para a população a diversidade de plantas presentes em nossa região.

(Retirado do site do Instituto Gandarela em 26/2/2013)


Mas o mais inacreditável é que, com objetivos nas áreas ambiental, cultural, artística, educativa, turística e de geração de renda, o Instituto Gandarela EM NENHUM MOMENTO MENCIONA O PARQUE NACIONAL DA SERRA DO GANDARELA que, pela relevância de seus inúmeros atributos, por si só já é um grandioso complexo natural e cultural com todas essas perspectivas, inclusive a nível internacional.

Assim, neste momento e até que os próximos meses nos tragam novas informações, entendemos que o Instituto Gandarela veio para consolidar as ações da Vale no sentido de alterar os limites do Parque Nacional da Serra do Gandarela, por pressão direta junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ao Ministério do Meio Ambiente e demais entes envolvidos na criação dessa importante Unidade de Conservação.  Mas pressupomos que deve ser sem o conhecimento de parte dos envolvidos, das entidades parceiras e dos apoiadores.

Sendo assim, trazem para a sociedade, inicialmente de Rio Acima, onde estão previstos os maiores impactos sociais oriundos da atividade de mineração, o Complexo Cultural Gandarela, e outras iniciativas, como moeda-de-troca pelos gigantescos impactos regionais da Mina Apolo sobre o último santuário de porte e ainda preservado da Região Metropolitana de Belo Horizonte.  Provavelmente, a Vale surgirá como benfeitora, encobrindo sua ambição desmedida que insiste em destruir definitivamente a Serra do Gandarela e a proposta do Parque Nacional e o que significam para a vida de todos nós hoje e dos que virão no futuro, em uma região metropolitana com mais de cinco milhões de habitantes. PORQUE SEM ÁGUA E BIODIVERSIDADE NÃO HÁ VIDA.

Algo nos diz que isso tudo acontece através de uma ampla articulação da Vale e seus aliados, numa intrincada “rede de influências”. O futuro dirá qual é a verdade!


QUEREMOS UM PARQUE NACIONAL DA SERRA DO GANDARELA DIGNO
E SEM CONCESSÕES À INTRANSIGÊNCIA DA VALE

JUNTE-SE A NÓS!  DIVULGUE !




APOIO:

































sábado, 23 de fevereiro de 2013

Balanço do Carnacatu





Mais uma vez o Carnacatu foi um sucesso. No domingo e terça de carnaval o centro histórico de Caeté foi tomado por inúmeras pessoas de todas as faixas etárias. Os bonecos do grupo de “seu” Raimundo Maracatu, Geni, Zepelin, Zé Caeté, Maria Bonita e o eletrizante boi iam a frente acompanhados pelas crianças, animados pela sensacional bateria da Banda de Porco, seguida pelos animados blocos e  fechando o cortejo, em meio a vários foliões, a banda de sopros. A Praça João Pinheiro, Rua do Gambá, Mato Dentro e Direita foram tomadas por uma multidão pacífica e alegre que entusiasmava a todos que assistiam das calçadas e janelas das casas. Momento especial foi quando os músicos homenagearam os idosos do Lar São Vicente de Paulo na passagem do desfile, demonstrando que o Carnacatu é um carnaval para todos.
Mas para que tudo isso acontecesse foi preciso percorrer um longo caminho desde 1999, com o Museu do Carnaval promovido pelo MACACA. O Carnacatu nasceu após este projeto do museu e após a revitalização dos congados e Maracatu realizado pela Associação dos Artesãos e Artistas de Caeté (AAAC) que teve a parceria do MACACA. Em 2009 o MACACA percebeu que não haveria nenhum evento ligado ao carnaval na cidade e botou literalmente o bloco na rua, juntando grupo de bonecos do Maracatu e o grupo de composto pelos músicos da cidade dando inicio a este evento, novamente com a AAAC como parceira, que já está na quinta edição.
 Importante ressaltar que para que o Carnacatu aconteça precisamos contar com o apoio de muitas pessoas e entidades como  a AAAC,  com os músicos das bandas da cidade e de percussão, os blocos formados pelos moradores do Centro Histórico e a Prefeitura Municipal através da Fundação Casa de Cultura que desde 2011 vem apoiando o Carnacatu e o novo governo deu continuidade a isso, especialmente neste ano, melhorando a infraestrutura.
A responsabilidade sobre o Carnacatu aumenta a cada ano, e o papel das pessoas envolvidas é fundamental para que obtenhamos êxito no evento. Aqui agradecemos publicamente à AAAC, ao Sr. Raimundo Maracatu, às pessoas que carregam os bonecos, aos organizadores da bateria da Banda de Porco, João de Souza, Arley Martins, Masdem e Margareth Fontana e demais ritmistas que se dedicaram a horas de ensaio e no reparo dos instrumentos, aos músicos de sopro mobilizados pelo Sérgio Gouveia (Magreta), à família do Ademir Martins que forneceu a base de apoio para os ensaios, aos líderes dos blocos, à Prefeitura Municipal através dos secretários Anderson, Leonardo e Walnei, à Defesa Civil, à Polícia Militar, aos doadores de alguns instrumentos (Agnaldo Araújo, família de Antônio Oliveira e Guilherme do bar do antigo Bar do Neco), à indústria de doces Frutabella, às famílias de André Severino (rua Mato Dentro), Jaqueline Vitoriano(rua Israel Pinheiro) e Thomás Santos (Rua Direita) que forneceram suas casas para distribuição de água para os músicos, aos doadores de água no percurso pelo qual o Carnacatu passou, a todos que ajudaram direta e indiretamente e  não mediram esforços para que o Carnacatu fosse um sucesso e a todos os foliões que participam do Carnacatu e  que sempre se divertem de forma muito sadia. Nosso muito obrigado!
Ano que vem tem mais!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Antena de celular causa polêmica em Quintas da Serra

                         Foto: antena de celular instalada no Bairro Europeu

A construção de uma torre de telefonia celular junto á área residencial em Quintas da Serra levou diversos moradores a se mobilizarem contra a sua instalação. Segundo alguns moradores a comunidade não foi consultada sobre a instalação do equipamento e  o licenciamento, que passou pelo governo anterior, está totalmente irregular: não foi dada anuência pelo Conselho de Meio Ambiente (Codema) e o alvará "pegou carona" em uma liberação para uma torre de celular no bairro São Geraldo, localizado no perímetro urbano de Caeté, a mais de 10 Km de Quintas da Serra.

Fora isso existe o estudo que associa a irradiação eletromagnética das antenas com casos de câncerUma pesquisa desenvolvida pela engenheira sanitária Adilza Condessa Dode, defendida em 2010 em sua tese de doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sugeriu uma relação entre óbitos causadas por câncer e os geradores de sinais de telefones móveis na capital mineira (ver matéria abaixo) -  fato que os moradores mais temem e que os levou a entrar com ação no Ministério Público questionando a instalação da antena e exigindo a sua retirada.

Esse é mais um caso de flagrante desrespeito ao cidadão caeteense, pois a paisagem de Caeté e de alguns distritos encontra-se tomada por esses equipamentos, muitos junto à residências e patrimônios tombados (igreja do Rosário em Morro Vermelho) e nunca os moradores desses locais foram consultados sobre a instalação dos mesmos. A maioria dos casos só atende o interesse privado das empresas e de alguns que se beneficiam com o aluguel de espaços em seus terrenos para instalação das torres sem que o poder público resguarde o direito dos demais cidadãos, agravado pelo fato que a radiação emitida pelas antenas pode ser prejudicial à saúde.

Na Conferência RIO 92 foi proposto formalmente o Princípio da Precaução. A sua definição, dada em 14 de junho de 1992, foi a seguinte:
 

O Princípio da Precaução é a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados. Este Princípio afirma que a ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano.
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/09/07/interna_gerais,316213/antenas-de-telefonia-um-transtorno-para-os-vizinhos.shtml

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA


Foto: ensaio da bateria do Carnacatu no último domingo.



Restando pouco menos de vinte dias para o carnaval os blocos da cidade ainda aguardam o repasse de verbas da prefeitura para se estruturarem para a festa momesca. Mesmo sabendo que a prefeitura tem dificuldades naturais por tratar-se de início de governo, os organizadores dos blocos temem por dificuldades que possam prejudicar o evento, por exemplo, no ano passado o Macaca amargou prejuízos devido á demora no repasse dos recursos. Mesmo assim a expectativa é boa, pois após anos o carnaval de rua da cidade parece reviver sob o entusiasmo e dedicação de pessoas que não medem esforços para proporcionar alegria à gente de todas as idades. Carnacatu, Banda Dura, Vilas, Bonsucesso  e outros mais só querem botar o bloco na rua e esperam do poder público medidas de segurança, recursos e infraestrutura mínima, que garantam uma folia sadia e em paz.

É importante ressaltar que um carnaval bem organizado e com propostas de originalidade, pode fomentar o turismo de qualidade e movimentar a economia local.