quinta-feira, 5 de maio de 2011

Taxa de Iluminação: grande golpe.


A taxa de Iluminação Pública, instituída no ano passado em Caeté, faz neste mês de maio um ano e, infelizmente, não temos nada a comemorar. A polêmica taxa que andou na pauta de diversas administrações, sendo sempre rechaçada, na administração atual foi aprovada com o apoio da maioria dos vereadores da Câmara Municipal. Pois bem, melhor, pois mal, após aprovada a CEMIG ("a melhor energia do Brasil"), beneficiária do valor a ser descontado nas contas dos consumidores, teria um prazo, que nunca poderia ser de um ano, para promover benfeitorias na rede de iluminação pública, dentre elas, instalar luminárias nos postes de ruas às escuras há anos e que sempre representam um risco à segurança das pessoas. Passou-se um ano e nada, a mesma Câmara que aprovou a taxa, pressionada pelos cidadãos andou convocando reuniões com a empresa questionando-a do início dos serviços e depois de muito “lero-lero” nada foi feito. Resumo a história está cheirando a um grande golpe contra o contribuinte, que já suporta uma carga tributária absurda, pois a prefeitura resolveu o seu problema da forma mais cômoda, simplesmente repassou-o para a população. Agora como fica? O dinheiro arrecadado com a taxa não está trazendo nenhum benefício para a cidade e seus moradores e parece que os nossos governantes não estão preocupados com isso e dessa forma, todos os cidadãos precisam agir, exigindo a revogação da já famigerada taxa e, principalmente, acionando o Ministério Público para se apurar as responsabilidades e exigir a devolução dos valores pagos.

O Macaca está nessa luta.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Atingidos pela Vale

II Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale

01/05/2011

Mais de 50 delegados de vários países do mundo encontraram-se em Belo Horizonte para debater estratégias de resistência contra impactos e ameaças sócio-ambientais e trabalhistas provocados pela mineradora. Linhas políticas contundentes unificam o movimento.

Um histórico de anos de resistência, em diversos países do mundo, levou os movimentos e as comunidades que se consideram atingidas pelas operações da mineradora Vale a realizar o II Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale.

Em 2010, em ocasião da primeira edição, 160 pessoas de 12 diferentes países inauguraram essa estratégia de articulação entre vítimas do ciclo de mineração e siderurgia da multinacional verde e amarela.

Ao longo do ano passado, vários eventos e atividades pautaram a resistência do movimento: entre eles, a greve de um ano inteiro no Canadá, a participação a várias assembléias de acionistas da Vale expressando as críticas das comunidades, a divulgação do Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no mundo, a atuação da Federação Internacional dos Direitos Humanos em pesquisa das violações de direitos em dois casos de Açailândia/MA e ação penal interposta contra dois diretores da siderúrgica CSA no Rio de Janeiro.

Ao chegar do novo ano, o Movimento Internacional dos Atingidos voltou a convocar um encontro, de tal forma que entre 25 e 29 de abril de 2011 encontraram-se em Belo Horizonte cerca de 50 representantes de comunidades, sindicatos, movimentos sociais e de ambientalistas para debater a conjuntura econômica e política da Vale, trocar experiências a respeito de seus impactos no mundo e afinar métodos e atividades para o futuro de curto e médio prazo. A presença de delegações de Moçambique, Indonésia e Canadá, bem como a representação do Observatorio Minero de Conflictos en America Latina (OCMAL), enriqueceram o debate e a força do movimento.

Algumas linhas políticas chave foram traçadas na ocasião.
O movimento luta pela institucionalização de territórios livres da mineração (áreas de exclusão), pelo direito de dizer não a novos empreendimentos e pela consulta prévia às populações atingidas pelo ciclo de mineração.

Onde há operações já instaladas, exige reparação integral dos impactos e indenizações para as pessoas e comunidades.

É urgente a reflexão sobre a agregação dos custos sociais e ambientais da mineração, bem como o aumento dos royalties, sua distribuição (com controle social) a todos os municípios atingidos e sua destinação social, inclusive quanto ao futuro das comunidades.

Os atingidos lutam pela democratização das decisões da empresa, contra a sua criminalização, contra a precarização do trabalho e pelo fim do financiamento público à Vale.

A discussão não se reduz à empresa, mas tem a clara percepção das conexões e cumplicidades entre esta, todo o sistema de mineração e o próprio Estado. Também em seus objetivos, os atingidos visam ampliar a discussão sobre o modelo de desenvolvimento e exploração mineral para função social, levando em conta o debate atual sobre os direitos da natureza e o bem-viver.

http://www.justicanostrilhos.org/nota/721

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MP proíbe mineração no Caraça

Ministério Público proíbe mineração no Santuário do Caraça em MG

Luana Cruz -

Publicação: 27/04/2011 08:29 Atualização: 27/04/2011 08:44

O Caraça atrai  para Minas cerca de 60 mil turistas por ano  (Jackson Romanelli/Especial para o EM - 11/03/2008)
O Caraça atrai para Minas cerca de 60 mil turistas por ano

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) proibiu, por meio de um recomendação, a exploração de minério na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário do Caraça, localizada nos municípios de Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Mariana, Itabirito e Ouro Preto.

A Serra do Caraça, tombada pela Constituição Estadual, tem área de 31.521 hectares, dos quais 11.233 fazem parte da área patrimonial. A reserva fica entre as bacias hidrográficas dos rios São Francisco e do Rio Doce.

O Caraça tem importante conjunto histórico e arquitetônico que atrai, anualmente, cerca de 60 mil turistas. De acordo com os promotores de Justiça, responsáveis pela recomendação, a atividade minerária não é permitida dentro dos limites de uma RPPN.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/04/27/interna_gerais,223929/ministerio-publico-proibe-mineracao-no-santuario-do-caraca-em-mg.shtml


terça-feira, 12 de abril de 2011

Força-tarefa no Gandarela

Operação para coibir desmatamento ilegal é iniciada na Serra do Gandarela BELO HORIZONTE (11/01/11) - Com o objetivo de identificar possíveis irregularidades na exploração de recursos ambientais, teve início nesta segunda-feira (11) a operação conjunta de fiscalização nos municípios de Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas, Nova Lima, Itabirito, Ouro Preto, Santa Luzia, Caeté e Rio Acima. O trabalho envolve cinco equipes de técnicos do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), além daPolícia Militar de Meio Ambiente e Trânsito (PMMA). A fiscalização terá prosseguimento até o final desta semana. A operação pretende coibir desmatamentos ilegais e verificar a regularidade das atividades de mineração localizadas nos municípios no entorno da Serra do Gandarela, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Durante o trabalho os técnicos farão um levantamento das atividades desenvolvidas na região, além de buscar pontos de desmate não autorizados, visando a aplicação da legislação ambiental. A ação faz parte das atividades da Subsecretaria de Controle e Fiscalização Ambiental Integrada da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e reúne cerca de vinte técnicos e policiais. A base da operação está instalada no município de Santa Bárbara. A Serra do Gandarela faz parte do Vetor Sul e forma um corredor ecológico junto com a Serra do Caraça. A vegetação predominante é a Mata Atlântica, com grande diversidade de fauna e flora. A serra funciona como um divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Doce e São Francisco. http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/meio-ambiente/34980-operacao-para-coibir-desmatamento-ilegal-e-iniciada-na-serra-do-gandarela-operacao-para-coibir-desmatamento-ilegal-e-iniciada-na-serra-do-gandarela

terça-feira, 5 de abril de 2011

MP paralisa Votorantim

Liminar obtida pelo MPMG paralisa empreendimento da Votorantim em Vazante

Projeto Extremo Norte prevê a lavra de minério em áreas cársticas. O EIA identificou a existência de cavernas e a possibilidade de danos ao patrimônio espeleológico.

Um empreendimento da Votorantim Metais Zinco S.A. no município de Vazante, na região noroeste de Minas Gerais, a 513 km de Belo Horizonte, foi suspenso pela Justiça depois que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais(MPMG), por meio de Ação Civil Pública (ACP), solicitou a interrupção do Projeto Extremo Norte: Unidade Vazante. Segundo os promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda Coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais), Marcelo Azevedo Maffra (Coordenador Regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente da Bacia dos Rios Paracatu e Urucuia) e Breno Nascimento Pacheco (que atua na defesa do Meio Ambiente de Vazante), o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) considerou a situação preocupante em razão da relevância espeleológica¹, arqueológica² e bioespeleológica³ encontrada no local.


O pedido de liminar foi acatado pela juíza Mônika Alessandra Machado Gomes Alves, da Comarca de Vazante. De acordo com a magistrada, "o princípio da prevenção, dirigidos aos impactos ambientais já conhecidos, e o princípio da precaução, alusivo aos impactos ambientais ainda não sabidos, orientam que em casos como esse a atitude responsável e prudente na proteção ao meio ambiente seja o aprofundamento nos estudos realizados". Em razão disso, a juíza entendeu pertinentes os argumentos apresentados pelo MPMG e determinou a suspensão do projeto, estipulando multa de R$ 250 mil por cada ato praticado em desacordo com a liminar.

ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL
Encontra-se em tramitação na Unidade Regional Colegiada (URC) Noroeste do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), um procedimento administrativo de licenciamento ambiental, pleiteado pela Votorantim. A empresa solicita a concessão de licença prévia para lavra de minério em áreas cársticas - cerca de 193 hectares - no Município de Vazante, da ordem de aproximadamente 5,5 milhões de toneladas até o ano de 2024.


O MPMG constatou a existência de irregularidades no procedimento de licenciamento Licença Prévia (LP). O EIA identificou a existência de nove cavernas na área de influência do empreendimento, todas elas dentro do cone de rebaixamento do nível freático que será formado com a implantação do Projeto Extremo Norte. Dessas cavidades subterrâneas, uma delas (Gruta da Vaca Morta) encontra-se a menos de 250 m da área do empreendimento, o que viola o disposto na Resolução n.º 347/04 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).


Segundo informações do EIA, em razão de a cavidade estar muito próxima do empreendimento, as vibrações provenientes da detonação de explosivos e os vazios formados a partir do rebaixamento do nível freático podem acarretar zonas de instabilidade e danos ao patrimônio espeleológico.


Ainda segundo o EIA, o rebaixamento do lençol freático pode ocasionar graves danos ao meio ambiente, especialmente no que concerne aos cursos dŽágua e ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região biogeográfica), além de aumentar consideravelmente o risco natural da ocorrência de dolinamentos (depressões no solo características de relevos cársticos, formadas pelas dissoluções químicas de rochas calcárias abaixo da superfície).

De acordo com os promotores de Justiça, mesmo com a proximidade do empreendimento com Gruta da Vaca Morta e não obstante a relevância ambiental das demais cavidades subterrâneas localizadas dentro da área de influência do local onde se pretende realizar a lavra, especialmente da Gruta das Urtigas, não foi anexa ao procedimento de licenciamento ambiental anuência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a implantação do projeto, contrariando frontalmente o disposto na Resolução Conama n.º 347/04 e a Portaria Ibama n.º 887/90.


Diante disso, na reunião de votação da LP, o MPMG requereu a conversão do julgamento em diligência, a fim de que fosse dada ao empreendedor a oportunidade de sanar tal irregularidade, uma vez que a falta de anuência do Ibama contraria a legislação vigente e compromete a análise de viabilidade ambiental do projeto, uma vez que sequer foi analisada pelo órgão competente a possibilidade de impactos negativos em detrimento do patrimônio espeleológico brasileiro, que goza de especial proteção.

Os promotores de Justiça destacam que é na fase de LP que a viabilidade locacional do empreendimento deve ser demonstrada, não se admitindo postergar tais exigências para as fases posteriores do processo de licenciamento.

Consta ainda do EIA que os estudos até então realizados impossibilitam a avaliação da real influência que o empreendimento terá sobre as cavidades, dimensão que somente poderá ser vislumbrada depois de detalhados os levantamentos espeleológicos, hidrogeológicos e sísmicos.


O mesmo estudo salienta que o impacto potencial nas grutas é de intensidade alta e de caráter irreversível, por estar fora de normas e padrões, não sendo assimilável pelo meio, já que eventuais abatimentos não poderão ser recuperados.

LP APROVADA PELO COPAM
Mesmo com a advertência do MPMG sobre os mencionados vícios formais e de conteúdo no procedimento, a LP foi aprovada pelo Copam por maioria de votos. Ou seja, a URC Noroeste do Conama expediu a licença ambiental sem que todas as informações sobre o empreendimento e seus efeitos adversos estivessem disponíveis no processo, subvertendo por completo a própria razão de existir do processo de licenciamento ambiental: o conhecimento real dos impactos e a análise da viabilidade do empreendimento.

De acordo com os promotores de Justiça, "os votos dos conselheiros foram externados sem qualquer razão ou embasamento que pudesse minimamente enfraquecer as dúvidas e preencher as lacunas apontadas. Ou seja, a decisão da URC padece de fundamentação, é arbitrária, ilegal e potencialmente lesiva ao meio ambiente natural, ao patrimônio cultural e à própria segurança pública."

¹ Espeleologia: é a ciência que estuda as cavidades naturais e outros fenômenos cársticos nas vertentes da sua formação, constituição, características físicas, formas de vida, e sua evolução ao longo do tempo.
² Arqueologia: disciplina científica que estuda as culturas e os modos de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais.
³ Bioespeleologia: ramo da Biologia que se dedica ao estudo dos seres vivos que ocorrem no ecossistema cavernícola.

Asessoria de Comunicação do Ministério Público de Minas Gerais
Tel. (31) 3330.8166 / 8016 Siga a Asscom no Twitter: @AsscomMPMG
31.03.11 (Meio Ambiente/Vazante - liminar suspende projeto da Votorantim) AL

quinta-feira, 31 de março de 2011

Serra do Gandarela: contra o cinismo ambiental.

Serra do Gandarela: As razões de Minas nos cobram mais inconformismo, artigo de Gustavo T. Gazzinelli

Publicado em março 31, 2011 por HC

Serra do Gandarela: segunda maior área de mata atlântica e maior área de campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais enfrenta o cinismo, a ideologia perdulária e os negócios de Minas

As razões de Minas nos cobram mais inconformismo, mais inquietação e ousadia…” Antonio Augusto Anastasia, 01/01/2011

[EcoDebate] É de se indignar o cinismo e a hipocrisia institucionalizados no Brasil, na sociedade brasileira e em Minas Gerais, em particular. As últimas hecatombes naturais, no Japão, na Serra do Mar ou no processo contínuo de desmatamento da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica, parecem ser processos normais e desejáveis, como se nada tivéssemos a ver com isso.

No caso das nossas montanhas e águas, o que se vê é uma política deliberada de deixar fazer ou, no sentido literal da expressão, deixar desfazer o que a natureza levou milhões e bilhões de anos para construir. O argumento é primário: “minas está no nome”, “usamos carros, computadores, relógios e geladeiras – você queria o quê?”

Poucos se dão conta de que apenas um pequeno percentual do minério de ferro extraído de Minas Gerais é reprocessado pela indústria mineira e brasileira. Temos visto figuras de proa, como o ex-ministro Paulo Haddad, falar que a atividade mineral traz “desenvolvimento”. Sua empresa, Phorum, contratada pela Vale, está tentando convencer municípios da APA-Sul de Belo Horizonte a proceder à reformulação de seus Planos Diretores, que objetivam um desenvolvimento efetivamente sustentável e baseado no ecoturismo e na proteção de mananciais. O alvo é facilitar a entrada da mineração, pretendida por sua cliente, na segunda área em tamanho de Mata Atlântica e na maior área de campos rupestres ferruginosos ou campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais – a Serra do Gandarela.

De outro modo, ONGs como a Amda e até a Biodiversitas, renderam-se aos apelos de seus parceiros mineradores, que financiam boa parte de suas atividades e obtêm em troca um silêncio parcimonioso, quando o assunto é a destruição de territórios vitais para a recarga hídrica de uma região metropolitana e da biodiversidade singular e rara. Este é exatamente o caso da Serra do Gandarela, com projeto de criação de um Parque Nacional pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Venhamos e convenhamos, a mineração tem um preço, e este é a destruição de ambientes naturais importantes e, muitas vezes, únicos. Se isso se desse de forma equilibrada, seria algo discutível e admissível apesar dos sacrifícios implicados. Mas o que está em curso é algo totalmente distinto. Em estudo recente, o biólogo Flávio Fonseca do Carmo, mostra que dos campos rupestres sobre cangas do Quadrilátero Ferrífero, 40% do que existia em 1960, foi já exterminado, e outros 55% são objeto de projetos minerários, de atividades em curso ou já autorizadas. Não há outra palavra para denominar tal barbárie, que “ecocídio”, termo que remete à expressão genocídio, que denomina a tentativa de extinção de etnias, enquanto no nosso caso a eliminação de ambientes naturais ou sistemas ecológicos restritos a poucos lugares no mundo.

O fato de que autoridades e número significativo dos conselheiros de meio ambiente e de recursos hídricos julguem esse processo normal, inevitável e até benfazejo e tomem decisões para concretizá-lo é algo a merecer a censura da sociedade e a criminalização por parte da Justiça.

Costumamos empregar a expressão “perdulário” para denominar aquelas pessoas que gastam em pouco tempo a fortuna ou as economias feitas por seus pais, avós etc. Quando se percebe então o que está para acontecer com o minério de ferro de Minas Gerais, o adjetivo se encaixa na cumbuca pseudo-desenvolvimentista de muitos de nossos governantes e de segmentos da sociedade que com eles compactua. A extinção das principais jazidas de minério de ferro da região central do estado é coisa de poucas décadas – 30 ou 40 anos. A petulância das gerações atuais e dos nossos mandatários inclui a adivinhação de que tal patrimônio não terá utilidade e valor maior no futuro e pode ser transferido às reservas estratégicas dos chineses e outros povos.

No caso da Serra do Gandarela, situada entre municípios do período colonial de Minas, é inaceitável que o governo do Estado e sua Secretaria de Meio Ambiente, venham a patrocinar sua destruição. E no entanto é o que parece estar prestes a ocorrer. É sabido dos encontros do governador Antônio Augusto Anastasia e do seu preposto na secretaria de Meio Ambiente, senhor Adriano Magalhães Chaves, com a empresa Vale, que deseja colocar uma cunha na área mais preservada da região metropolitana de BH e no mais significativo complexo hídrico e de cachoeiras da região, cercada de cidades e vilarejos históricos – Barão de Cocais, Caeté, Morro Vermelho, Raposos, Rio Acima, Itabirito, Santa Bárbara e Ouro Preto.

Desde 2010, o Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela tenta um espaço na agenda do senhor governador, e desde janeiro, quando foi empossado o senhor Adriano, demandamos o mesmo a ele. Seus gabinetes ignoram nossos pedidos de reunião. Entendemos que tal assunto e as decisões relacionadas ultrapassam a cadeira do Secretário, por isso pedimos palestra com o governador, que é quem manda. Justiça seja feita, também aguardamos ser recebidos pelo Presidente Rômulo Mello, do ICMBio, e pela Ministra Izabella Teixeira, e iremos demandar o mesmo ao Planalto.

Nos discursos de posse que fez, na Assembleia Legislativa e na sacada do Palácio da Liberdade, o governador Anastasia afirmou que estará “vigilante ao pleno exercício dos princípios republicanos”, que guardará “as razões de estado sob a segurança da ética e a claridade da transparência”, que buscará “a equidade, a igualdade, e a justiça como pontos de chegada desta nova caminhada”, e que, “mais que nunca”, Minas Gerais será “o Estado que ouve e dialoga”. Anastasia disse também: “não se tergiversa, quando está em jogo o interesse público, coletivo”.

Declarando-se seguidor da legalidade e dos princípios do direito administrativo, de que é professor, Anastasia promulgou lei em 12 de janeiro de 2011 flexibilizando o uso das áreas de proteção especial para mananciais de abastecimento público. Sua lei veio permitir que as mesmas sejam consideradas de “desenvolvimento sustentável”, expressão que curiosamente permite que mananciais sejam passíveis de projetos de mineração.

Mais grave, no entanto, seria, como autoridade que defende o zelo pelo patrimônio coletivo, liderar o licenciamento de tal absurdo para, a título de qualquer pretexto que seja, atender a interesses eleitoreiros dele ou de Aécio Neves em 2014. Afinal, é mais do que conhecida a ação pró-mineradora e contra-ambiental da gestão Aécio-Anastasia, nos últimos oito anos de governo. Imaginemos que tal política pudesse ser feita de boa fé até determinado ponto. Porém, considerado o conjunto da obra – corporações mineradoras arrasando o meio ambiente, impactando águas e paisagens, violando direitos humanos básicos e auferindo enormes lucros às custas do sacrifício de uma área singular do nosso território – essa hipótese não mais é admissível.

É sabido que Aécio ama o mar, e que Anastasia os livros. Isso não lhes dá direito de ferir aquilo que muitos mineiros temos como bem mais precioso, nosso lugar, nossas paisagens, nossas montanhas, nossas águas e cachoeiras, nosso caráter e espírito de justiça.

Se assim o fizerem, entenderemos que o Palácio Tiradentes, dependurado em estrutura de concreto na nova cidade administrativa sede do governo de Minas, simboliza muito acima da liberdade a forca.

Por Gustavo T. Gazzinelli, Movimento pelas Serras e Águas de Minas.

EcoDebate, 31/03/2011

Artigo publicado no portal Ecodebate: http://www.ecodebate.com.br/2011/03/31/serra-do-gandarela-as-razoes-de-minas-nos-cobram-mais-inconformismo-artigo-de-gustavo-t-gazzinelli/

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia da Água

Manancial de Morro Vermelho esteve sob ameaça. (foto: Macaca)

Hoje, 22 de Março, Dia Mundial da Água, será mais uma data que passa e depois cai no esquecimento ou pode ser um momento para reflexão, mudança de atitudes, propostas e ações efetivas? Ano após ano, a despeito de alguns avanços, vemos a situação piorar quando se trata da preservação desse bem precioso. A água é elemento vital, elo cultural, social e fator de desenvolvimento humano e deveria ter melhor tratamento por parte de todos.
Aqui em Caeté há pouca coisa para se comemorar e muitas para se lamentar quando se fala da água. Vemos algumas ações que merecem ser aplaudidas como uma maior conscientização das pessoas a respeito do meio ambiente em geral, da água especialmente, programas de proteção de nascentes e a estupenda mobilização coletiva dos moradores de Morro Vermelho para salvar a seu único manancial de abastecimento público ameaçado por um projeto da MSOl. Por outro lado vemos coisas como pessoas desperdiçando água de maneira irresponsável, por exemplo, a quantidade de residências e comércios que utilizam água como vassoura, principalmente na João Pinheiro é um absurdo. Será que o SAAE não pode notificar e até mesmo multar essas pessoas que desperdiçam água tratada? Por falar em SAAE lamentamos que o mesmo tenha dado anuência aos projetos da ferrovia da Vale, que ameaça os mananciais do Cutão e Morro Vermelho e "aberto mão" das límpidas águas da Serra do Gandarela para o Projeto Apolo da mesma empresa. Todos sabem que as águas do Gandarela são estratégicas para o futuro abastecimento público do município e também de outras cidades da região e só entendemos isso porque a decisão só pode ter saído sob pressão do executivo municipal, que tenta desde o início do governo substituir a autarquia pública pela COPASA, proposta totalmente repudiada pelos caeteenses. Outro fato que lamentamos é a paralisação das obras da estação de tratamento de esgoto (ETE) da cidade, que melhoraria muito a qualidade das águas do Córrego Caeté, que recebe toda carga de esgotos da cidade, fora servir de lata de lixo para cidadãos (será que merecem essa denominação?) sem nenhuma consciência ecológica. Quando essa obra que beneficiará a bacia do Rio das Velhas e consequentemente, do São Francisco, será retomada?
Como percebemos há muita coisa a ser feita, seja no plano individual, seja no coletivo, para que possamos comemorar um Dia da Água com a alegria de constatar avanços verdadeiros em torno desse bem.